Lembra como as coisas funcionavam antigamente? A mulher era “do lar”, era a dona-de-casa. O homem, o “chefe da família” saía cedo para o trabalho. Na volta, reclamava do dia difícil, ligava a televisão, atirava-se no sofá e invejava a esposa, que tinha ficado em casa “sem fazer nada o dia todo”.

O “sem fazer nada” era assim: a mulher fazia o café-da-manhã, mandava os filhos pra escola, passava na feira, no mercado e no açougue, cozinhava, pegava as crianças, servia o almoço, limpava, lavava, passava, arrumava, conferia o dever de casa, começava a preparar a janta… ufa! Ainda arranjava tempo para fazer um agrado: uma toalhinha para a mesa de centro, pão-de-queijo para o lanche das crianças, arroz doce de sobremesa. E ensinava às filhas as “prendas domésticas” para cuidarem bem das suas futuras casas e famílias. As receitas eram passadas na beira do fogão, entre bate-papos e confidências.

Hoje, os tempos são outros. As mulheres também trabalham fora. Surpresa para o lanche? Só quando a empregada tem tempo. As crianças também têm o dia cheio: escola, natação, dança, luta, informática, inglês e espanhol. Precisam se preparar para encarar o mercado de trabalho, em que é muito mais importante falar outro idioma do que saber se virar na cozinha (mas descobrirão que não é bem assim quando forem morar sozinhas).

São outros tempos. Nem melhores, nem piores – apenas diferentes.

Ah, mas que era bom chegar em casa da escola e encontrar uma travessa enorme de arroz doce me esperando, isso era. Aquele arroz doce cremoso, coberto com canela em pó, tinha cheiro e gosto de infância, de aconchego de mãe e de avó – sim, porque era tradição chegar para as férias na casa da avó e encontrar uma travessa maior ainda, geladinha.

Já adulta é que aprendi a fazer. Aliás, só adulta é que comecei a valorizar a culinária. Não cozinho todos os dias (estou no grupo das sem-tempo), mas acho uma delícia fazer um prato especial de vez em quando, pra família, pros amigos ou apenas para mim. Resgatei o caderno de receitas da minha mãe e vou testando, aprendendo, perguntando.

Essa receita de arroz doce já foi compartilhada com os leitores do Dia de Folga. Os ingredientes são simples, mas o preparo exige aquele carinho de quem vai pra cozinha pelo prazer de agradar a quem se ama.

Ingredientes

  • 2 xícaras de arroz
  • 4 xícaras de água
  • 8 xícaras de leite
  • 2 latas de leite condensado
  • 8 paus de canela

Modo de Preparo

Em uma panela grande (maior do que você usaria para fazer o dobro da quantidade de arroz), junte o arroz lavado e a água fria. Leve ao fogo alto. Quando ferver, abaixe o fogo e espere cozinhar. O arroz deve ficar cozido e bem molhado (como se fosse um risoto). Se necessário, adicione mais água para prolongar o cozimento.

Quando o arroz estiver ainda molhado, acrescente quatro xícaras de leite frio, uma lata de leite condensado e a canela. Mantenha o fogo baixo e mexa freqüentemente, para evitar que grude no fundo e que o leite derrame. Conforme o leite for secando, adicione as xícaras restantes e a segunda lata de leite condensado, sempre mexendo. Reserve uma xícara de leite.

O arroz amolece pouco nessa etapa (por isso é importante deixá-lo no ponto certo durante o cozimento na água). O tempo de fogo serve para dar cremosidade e apurar o sabor. Quando ainda estiver com bastante caldo, retire do fogo. O arroz continuará secando. Se você achar que secou demais, basta voltar ao fogo com mais leite.

Sirva com canela em pó. Essa receita rende umas 12 porções, cheias de carinho.

crédito da foto Lu Monte


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