Hambúrguer é um desses pratos ingratos, pois poucos dão valor quando anunciamos seu preparo. Como no caso de algumas massas, a grande maioria pressupõe algo já pronto, e não uma coisa elaborada. Mas não é bem assim, ou nem sempre é dessa forma. Conheçam, portanto, o HAMBURGRAVATA.

Criado dentro dos mais refinados princípios da gambiarra, e empregando conhecimentos alheios, chupinhando receitas aqui e alhures, a iguaria chegou à sua versão (talvez) definitiva e, como não tenho vocação para vovó caricata do interior da Louisiana, obviamente não pretendo guardar nada disso até a morte. Vamoquevamo!

Ingredientes:

– 3 quilos de fraldinha limpa e moída

– 2 ovos (você só usará 1 e ½)

– 1 pacote e ½ de sopa de cebola

Acompanhamentos:

– Pão com Gergelim

– Cream Cheese

– Tomates Frescos

– Molho Inglês

A Escolha da Carne

Uso a fraldinha porque é uma peça saborosa e ‘marmorizada’; ou seja, ela tem tanto a dose certa de gordura como também um ótimo sabor. Muitos usam o ‘patinho’, que não é nem bom na gordura, nem tem muito sabor. (nota do Cobra – Concordo com os comentários pró fraldinha, mas não com os comentários contra o patinho  – pensando em custo-benefício o Patinho é excelente)

Mas o pior negócio, a meu ver, é fazer hambúrguer de picanha. Sério, fujam dessa arapuca! Aliás, como já sabemos, picanha é o corte favorito de quem não entende nada de carne. (Nota do Cobra – CONCORDO)

Bom, voltemos à fraldinha… Como o raramente se encontra a peça limpa, você precisa pedir ao açougueiro que tire a gordura. Não caia na besteira de avisar que vai moer, nada disso! Se você avisa, ele limpa de qualquer jeito. Você fala que quer a fraldinha bem limpinha e pede pro camarada caprichar na extração da capa de gordura. Somente depois que estiver pronto o serviço, peça para moer (ele pode ficar bravo, mas paciência).

Importante: é para passar SOMENTE UMA VEZ na máquina, para não prejudicar a textura da carne.

Preparando o Hambúrguer

Esses três quilos de fraldinha limpa e moída serão amassados junto com um ovo e meio e um pacote e meio de sopa de cebola (favor não usar “creme”, muito menos aquela que vem com macarrãozinho, tá?). Por que sopa e não cebola picada? Simples: quando se usa a própria cebola, ela QUEIMA na hora de grelhar e estraga todo o sanduíche. E a sopinha, por sinal, acaba salgando e temperando o hambúrguer.

Amasse tudo com vontade, sem qualquer medo de ser feliz. Só pare depois que ficar bem homogêneo – e, se quiser, pode jogar um pouco de molho inglês nessa hora, só pra fazer uma graça.

Para modelar o hambúrguer, use uma forma de plástico, à venda nas melhores lojas de R$ 1,99. O legítimo “Hamburgravata” é bem grosso. Então, se quiser me imitar, trate de encher a forma até o talo.

Você aperta bem forte, depois vira o hambúrguer e aperta de novo. E pronto. Vá colocando os hambúrgueres num ‘tupperware’, dividindo os ‘andares’ usando fitas plásticas (o famoso magipack) – isso facilitará sua vida na hora de congelar e, sobretudo, descongelar.

Preparando os Acompanhamentos

O cream cheese, logicamente, já vem preparado. Trate apenas de usar uma marca boa (de preferência, o famoso Philadelphia). É melhor do que maionese, por ser mais gostoso e mais saudável.  (Nota do Cobra – não é jabá a indicação da Philadelphia, vai fundo que é o melhor.)

A coisa complica um pouco no preparo do tomate. Use o ‘italiano brasileiro’, ou seja, aquele que é daqui mesmo, mas ‘tipo italiano’ (meio pontudinho, sabe qual?). Depois de lavá-los e abri-los, retire todas as sementinhas e então os corte em quatro pedaços. Faça isso, sei lá, com uns dez tomates. Daí, o negócio é triturar tudo (use um bom processador). Depois de triturado, deixe sobre uma peneira, para escorrer bem a água.

Em vez das manjadas rodelas de tomate, o “Hamburgravata” tem tomates triturados. Bem melhor. Soube até de algumas lanchonetes que fazem isso (obviamente, começaram depois de mim… :D).

Preparando o Sanduíche

Em vez de fritar, trate de grelhar seu hambúrguer. Eu uso “George Foreman” (terceiro merchandising gratuito, estão anotando?), porque ele dá aquela prensada e mantém a ‘integridade física’ do negócio. (Nota do Cobra – Não é merchandising é indicação mesmo, eu mesmo já falei do Grill aqui)

Cada um come do jeito que quiser, mas eu prefiro quando dá aquela semi-tostadinha por fora, mas ficando meio rosa por dentro. Essa é uma das vantagens do “hambúrguer grosso”.

Num lado do pão, passe bastante cream cheese; no outro, pingue um pouquinho de molho inglês e depois coloque um punhado de tomate triturado. Aí sim, o hambúrguer está pronto para ser recepcionado da forma que lhe cabe e o sanduíche pode receber seu nome legítimo: HAMBURGRAVATA!

(claro que você vai batizá-lo com seu próprio nome, para impressionar os amigos ou a garota ou sei lá quem) (Nota do Cobra – as fotos vêm quando ele preparar o Hamburguer da próxima vez, cobrem-no nos comentários.)